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ahi estava armada uma rede em que elle devia ser colhido. Que rede! Vinte annos, uma figura delicada, esbelta, franzina, uma d’essas figuras vaporosas que parecem desfazer-se ao primeiro raio do sol. Azevedo não foi senhor de si: apaixonou-se; d’ahi a um mez casou-se, e d’ahi a oito dias partio para Petropolis.

Que casa encerraria aquelle casal tão bello, tão amante e tão feliz? Não podia ser mais propria a casa escolhida; era um edificio leve, delgado, elegante, mais de recreio que de morada; um verdadeiro ninho para aquellas duas pombas fugitivas.

A nossa historia começa exactamente tres mezes depois da ida para Petropolis. Azevedo e a mulher amavão-se ainda como no primeiro dia. O amor tomava então uma força maior e nova; é que... devo dizêl-o, ó casaes de tres mezes? é que apontava no horizonte o primeiro filho. Tambem a terra e o céo se alegrão quando aponta no horizonte o primeiro raio do sol. A figura não vem aqui por simples ornato de estylo; é uma deducção logica: a mulher de Azevedo chamava-se Adelaide.

Era, pois, em Petropolis, n’uma tarde de Dezembro do anno de 186.... Azevedo e Adelaide estavão no jardim que ficava em frente da casa onde occultavão a sua felicidade. Azevedo lia alto; Adelaide ouvia-o ler, mas como se ouve um écho do coração,