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porque, como te disse já, não pudera reparar bem no homem do theatro.

Aconteceu que dentro de pouco tempo estavamos na maior intimidade, e eu era para elle o mesmo que todas as outras: admiradora e admirada.

Das reuniões passou Emilio ás simples visitas de dia, nas horas em que meu marido estava presente, e mais tarde, mesmo quando elle se achava ausente.

Meu marido de ordinario era quem o trazia. Emilio vinha então no seu carrinho que elle proprio dirigia, com a maior graça e elegancia. Demorava-se horas e horas em nossa casa, tocando piano ou conversando.

A primeia vez que o recebi só, confesso que estremeci; mas foi um susto pueril; Emilio procedeu sempre do modo mais indiferente em relação ás minhas suspeitas. N’esse dia, se algumas suspeitas me ficárão, desvanecêrão-se todas.

N’isto passárão-se dous mezes.

Um dia, era de tarde, eu estava só; esperava-te para irmos visitar teu pai enfermo. Parou um carro á porta. Mandei ver. Era Emilio.

Recebi-o como de costume.

Disse-lhe que iamos visitar um doente, e elle quiz logo sahir. Disse-lhe que ficasse até á tua chegada. Ficou como se outro motivo o detivesse além de um dever de cortezia.