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nique zoologique, t. II, p. 249, extrahida do livro do medico Pedro Piperno, do sec. XVII, que se intitula De Nuce maga beneventana. A troca das corcundas é explicada por Gubernatis: «é evidentemente o jogo das sombras; a corcunda por detraz é a escuridão da noite, a corcunda por diante, é a sombra na alvorada.» Ha uma outra versão portugueza, de Coimbra, publicada na Revista de Ethnologia e Glottologia, p. 200. — A tradição tem certa universalidade. Vide tambem Brueyre, Contes de la Grande Bretagne, p. 206, tradição da Irlanda, e Emile Souvestre, Foyer Breton, Les Korils de Plauden, ou Presente dos Gnomos.

Nos Contes populaires lorrains, de Emm. Cosquin, vem com o titulo Les Fées et les deux bossous.


83. A mulher gulosa. — Esta facecia encontra-se nas tradições populares do Brazil. Sylvio Romero, colligiu-a em Pernambuco, e tral-a com o titulo A mulher dengosa, nos seus Contos populares do Brazil.


86. Dá-me o meu meio tostão. — Acha-se esta facecia nos Contos sicilianos, colligidos por G. Pittré, sob o nome de Giufa. (Rev. des Deux Mondes, de 1875, 15 de Agosto, p. 833.)


87. O soldado que foi para o céo. — Acha-se na tradição da Bretanha franceza, sob o titulo de Moustache. (Em. Souvestre, Les Derniers Bretons, t. I, p. 83.) Acha-se colligido na tradição popular italiana por G. Pittré; na fórma siciliana é um frade, o Grós-Jean analogo ao Bonhomme Misère, da França, ao Prete Ulivo, da Toscana, Accacini, de Palermo, e Gingannuin, do Castellermini. (Vid. Rev. des Deux Mondes, de 1875, 15 de Agosto, p. 843.) O soldado que recebe os trez dons, vem tambem nos contos de Grimm, o Judeu nas Silvas, trad. Baudry, p. 243.