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PREFÁCIO BIOGRÁFICO

algum depósito de imundícies que sirvam para adubar terras de pão pelo vale de Algés, ou da Ribeira de Jamor». [1]

D. Francisco Manuel de Melo morreu solteiro ; deixou, porém, um filho natural, de nome D. Jorge, que pereceu, oito anos depois de seu pai, na batalha de Senef. Diz Joseph de Cabedo que a mãe de D. Jorge era uma senhora do Pôrto, que vivera com D. Francisco em uma quinta do seu gentil namorado à margem direita do Douro, em um sítio chamado Entre-ambos-os-rios. Desta quinta falou, em dias mais felizes, o poeta a D. João IV em uma graciosa petição rimada, que o leitor encontra a pag. 209 da Viola de Tália, edição de 1664.

Pelo que toca a D. Gregório, conde de Vila Nova de Portimão, há a certeza de que não casou com quarta mulher. Deu-se a menos arriscados amores, amistando-se com Helena da Cunha, sua criada, de quem houve um filho, que também se chamou D. Gregório de Castelo-Branco, e herdou de seu pai uma comenda de Cristo, e o restante que podia herdar.

O título extinguiu-se com a pessoa daquele 4.º conde que eu respeito na sua infelicidade, e até no desabrimento do seu desfôrço ; mas reprovo-lhe a covardia da vingança, que tirou do amante da espôsa assassinada, imputando-lhe com infames cavilações a morte do mordomo. Como quer que fôsse, se a algum homem do século XVII preluziram as teorias de Alexandre Dumas, nisto de matar as descendentes de Nod, foi a D. Gre-


  1. O snr. A. Herculano, Panorama citado.