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CANTO II.


I.


Era a hora, em que o Sol na grã carreira
Do torrido Zenith vibra igualmente,
E que a ſombra dos corpos companheira
Na terra extingue, com o raio ardente;
Quando ao partir a turba carniceira,
Se vio Diogo ſó na praia ingente,
Entre mil penſamentos, mil terrores,
Que a dor fez grandes, e o temor maiores.

II.


Parecia-lhe ver da gente inſana
O barbaro furor, a fome crua,
A agonia dos ſeus na acção tyranna;
E temendo a dos mais, preſume a ſua:
Quizera oppôr-ſe á empreza deshumana;
Penſa em arbittrios mil, com que o conclua:
Se fugirá? mas donde? ſe os invada?
Porém enfermo, e ſó não vale a nada.

III.