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POEMA EPICO. CANTO I.
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XLII.


Eſte no ſeio pois de Virgem pura,
Invocada no nome de Maria,
Redemptor, Meſtre, e Luz da Creatura,
Naſceu, pregou, morreo na Cruz impia:
Rompeo do abyſmo a immovel fechadura;
Depois reſurge no terceiro dia;
E ao Ceo ſubindo em fim, donde commanda,
Aos fins da Terra os menſageiros manda.

XLIII.


Hum deſtes venho a ti: lavar-te intento,
Se queres aceitar meu Cateciſmo;
E ſervindo de porta o Sacramento,
Incorporar-te ao ſanto Chriſtianiſmo.
Purga o teu coração, teu penſamento,
Por chegar puro ás aguas do Baptiſmo,
Onde ſe entras com dor do mal primeiro,
De Jeſus Chriſto morrerás coherdeiro.

XLIV.


Aos primeiros accentos que eſcutára,
Guaçú (q̃ eſte he ſeu nome) a frente empena;
Attenda ao que ouve a orelha, e fixa a cara,
Senão que co'a cabeça a tudo acena:
Dos olhos mal ſe ſerve, que cegára,
Bem que a viſta pareça ter ſerena;
As mãos de quando em quando eſtende, e toca,
E pende attento da Sagrada boca.

XLV.