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POEMA EPICO. CANTO I.
19

XXX.


Mas já tres veres tinha a Lua enchido
Do vaſto globo o luminoſo aſpecto,
Quando o Chefe dos barbaros temido
Fulmina contra os ſeis o atroz decreto:
Ordena que no altar ſeja offrecido
O brutal ſacrificio em ſangue infecto,8
Sendo a cabeça ás victimas quebrada,
E a gula infanda de os comer ſaciada.

XXXI.


Em tanto que ſe ordena a brutal feſta,
Nada ſabião na marinha gruta
Os habitantes da prizão funeſta;
Que ardiloſa lho eſconde a gente bruta:
E em quanto a feral pompa já ſe apreſta,
Toda a pena em fayor ſe lhe commuta;
Nem parecem ter dado a menor ordem,
Senão que comão, e comendo engordom.

XXXII.


Mimoſas carnes mandão, doces frutas
O araças, o cajû, coco, e mangaba;
Do bom maracuia lhe enchem as grutas
Sobre rimas, e rimas de Guaiaba:
Vaſilhas põem de vinho nunca enxutas,
E a immunda catimpocira, que da baba9
Fazer coſtuma a barbara patrulha,
Que ſó ds ouvillo o eſtomago ſe embrulha.

B ii
XXXIII.