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POEMA EPICO. CANTO I.
17

XXIV.


Deſta arte armada a multidão confuſa
Inveſte o naufragante enfraquecido,
Que ao ver ſe deſpojar, nada recuſa;
Porque ſe enxugue o madido. veſtido:
Tanto mais pelo mimo, que ſe lhe uſa,
Quando a barbara gente o vê rendido:
Trouxerão-lhe abatata, o coco, o inhame;7
Mas o que crem piedade he gula infame.

XXV.


Cevavão deſta fórma os deſditoſos
Das fadigas maritimas desfeitos:
Por pingues ter os paſtos horroroſos,
Sendo nas carnes miſeras refeitos:
Feras! mas feras não; que mais monſtruoſos
São da noſſa alma os barbaros effeitos:
E em corrupta razão mais furor cabe,
Que tanto hum bruto īmaginar não ſabe.

XXVI.


Não mui longe do mar na penha dura
A boca eſta de hum antro mal aberta,
Que horri vel dentro pela ſombra eſcura,
Toda he fora de ramas encuberta:
Alli com guarda á viſta ſe clauſura
A infeliz companhia, eſtando alerta,
E por cevallos mais, dão-lhe o recreio
De ir pela praia em placido paſſeio.

B
XXVII.