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Tais contra Inès os brutos matadores,
No colo de alabaſtro, que ſoſtinha
As obras com que amor matou de amores
Aquelle que despois a fez Rainha:
As eſpadas banhando, & as brancas ſlores,
Que ella dos olhos ſeus regadas tinha,
Se encarniçauão, feruidos & yroſos,
No foturo castigo não cuidoſos.

Bem podêras, ô Sol, da viſta deſtes
Teus rayos apartar aquelle dia,
Como da ſeua meſa de Tyeſtes,
Quando os filhos por mão de Atreu comia.
Vos, ô concauos vales que podeſtes,
A voz extrema ouuir da boca fria,
O nome do ſeu Pedro que lhe ouuistes,
Por muito grande eſpaço repetistes.

Aſsi como a bonina que cortada,
Antes do tempo foy, candida & bella,
Sendo das mãos laciuas mal tratada,
Da minina que a trouxe na capella:
O cheiro traz perdido, & a cor murchada:
Tal eſtà morta a palida donzella,
Secas do roſto as roſas, & perdida
A branca & viua cor, co a doçe vida.