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Cada estação ás ilhas fortunadas
Que são, vistas da altura do Colonna,
Da solidão encanto e enlevo d՚alma.
Alli, na face limpida e serena,
Em ridentes covinhas a entreabrir-se
Reflecte o mar as tintas das montanhas
E lhes imprime a cor nas ledas vagas,
Que desse paraiso as praias beijam.
Si leve brisa, a sacudir das azas
Perfume e fresquidão, encrespa, ás vezes,
O limpido crystal d՚aquellas aguas,
E a rama embala aos flóridos arbustos,
Quanta delicia traz aos que a respiram !
Alli, sobre alcantis e em fundos valles,
Aos doces beijos do canóro amante [4]
Purpureo calix desabrocha a rosa,
Noiva do rouxinol, que em seus trinados
Enche, por ella, os ares de harmonia.
Essa odalisca do cantor plumoso,
Que o sceptro dos jardins conserva, eterno,
Sempre, em toda a estação mimo das auras,
Nunca offendida de tufões e gelos,
Sem conhecer occidentaes invernos,
—A rosa—paga c՚o mais puro incenso
A՚ natureza os succos nutritivos
E, grata, offerta ao céo, de que é dilecta,
O brilhante matiz das vivas cores
E a essencia de balsamicos suspiros.
Flôres mil do verão alli resplendem ;
Ha profusão de sombra, a amor propicia ;
E muita gruta, parecendo asylo
De calma e paz, é coito do pirata.
Este, no abrigo de seguro golfo
De pacifica vela está na espia,
Até que Vesper no horizonte assoma
E o nauta fere as cordas da guitarra.[5]
Então, batendo amortecidos remos,
O nocturno ladrão cahe sobre a victima,
E em mortal estertor lhe muda o canto.

Estranha aberração ! Plaga tão bella,
Onde parece quiz a natureza