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^ (34) Estes versos são imitação de um canto de guerra turco: «Eu vejo, eu vejo uma joven do paraizo; tem os olhos negros; fluctua-lhe o véo, o seu véo verde, e exclama: Vem ; abraça-me, porque te amo ! »
^ (35) Monkir e Nekir são os inquisidores dos mortos. O corpo faz ante elles uma especie de noviciado e experimenta, de antemão, os tormentos do inferno.
Si as provas não são satisfactorias, é o infeliz levantado sobre uma foice e reimmerso no abysmo, a impulso de uma pesada massa de ferro em braza. Ha outras provas semelhantes.
Não é, por certo, uma sinecura o officio destes anjos. São apenas dous, e, sendo muito maior que o dos orthodoxos o numero dos peccadores, não ha mãos a medir para Monkir e Nekir.
^ (36) Éblis. E՚ o Satan dos Orientaes.
Suppõe D՚Herbelot que este nome é um derivado corrompido de uma palavra grega. Por elle designam os Arabes o chefe dos anjos rebeldes. Conforme a mythologia arabe, Eblis decahio de seu posto, por ter, desobediente ás ordens divinas, negado reverencia a Adão. Allegava Éblis, como razão da recusa, ser Adão feito de argilla, ao passo que elle era uma substancia etherea.
^ (37) A crença nos vampiros é ainda geral no Levante. Tournefort conta uma longa historia, citada por M. Southey, nas notas de Thalaba, sob o titulo de Vroucolochas (a palavra romaica é Vardoulacha). Recordo-me ter visto uma familia inteira aterrorizada pelos gritos de uma criança, attribuidos á visita de um vampiro. E՚ a tremer que um Grego pronuncia esta palavra. Creio que Broukolakas é uma palavra do antigo grego. Applicam-n-a a Arsenius que (reza a tradição) foi possuido pelo demonio depois de morto. Os modernos empregam a palavra Vardoulacha.