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No revolto estuar passado haviam;
Disseram... foi mentira. E, si eu quizera
Repetir essa historia, a lingua minha.
Revel se recusára. E si é verdade,
Que abandonando as grutas do Oceano
Vens reclamar um tumulo tranquillo,
Humidos dedos põe-me nesta fronte.
Ou neste coração, que estala em ancias.
E assim extingue a febre que o devora.
Mas, sejas tu realidade ou sonho,
Rogo-te não te sumas de meus olhos ;
Ou si tens de partir, leva minh՚alma
Longe, inda além das regiões, aonde
O vento sopra e as vagas se desdobram.
«Confiei-te meu nome e minha historia;
De minhas dores sabes o mysterio.
Eu te agradeço a compassiva lagrima,
Que é vedado a meus olhos resequidos.
Dém-me um leito entre os mortos mais humildes;
E salvo a cruz, plantada no seu tôpo,
Não tenha meu sepulcro emblema, ou nome,
Que attraiam a attenção do viandante
E detenham o passo ao peregrino» [40]
E morreu, sem deixar um testemunho,
Que possa revelar-lhe o nome e a raça.
Ouvio-lhe o confessor da vida o arcano,
E impede-o de o dizer o sacro voto.
Só esta narração truncada existe
Sobre a bella mulher, que tanto amára,
E sobre aquelle, que punio co՚a morte.
Barão de Paranapiacaba.
Notas — ^ (1) Giaur, palavra turca, que significa infiel, (christão), deve ser pronunciada, aqui com todas as lettras, accentuando-se o u. Traduzi estes versos quando estudante em S. Paulo.
^ (2) Successo, em que Byron tomou parte, inspirou-lhe a primeira idéa deste poema.