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Suppliquei-a debalde e inda a supplico.
Mais forte que a vontade és, desespero !
Não esperdices, não, as tuas preces.
Não! Que esse desespero ha de frustral-as.
Possivel fosse, eu rejeitára a benção
Do céu; pois não aspiro ao paraizo.
Só precizo repouso. Eu vi Leïla,
Viva, meu padre, ao pé do mim. Brilhava
No alvo sudario, qual por entre a nuvem
Brilha, cem vezes menos bello, um astro.
Tal como a contemplava, ora a contemplo;
Seu tremulo fulgor vejo, indistincto.
A noite de amanhã será mais negra,
E antes que o raio seu desappareça,
Serei a cousa inanime, que aos vivos
Infunde tanto horror. Desvairo, ó monge;
Proximo estou do derradeiro transe.
Vi-a. Ergui-me, esquecendo os meus desgostos.
Do leito me arrojei. Cerrei-a ao peito,
De encontro ao coração angustiado.
Cerrei... mas não um seio, que respira,
Não coração, que junto ao meu batesse...
Mas é este o teu seio, ó doce amiga !
E՚s tu, Leïla, em tudo tão mudada?
Dando a meus olhos jubilo e consolo,
Não retribues meu estreito amplexo.
Sejam de gelo embora os teus encantos,
Quero abraçar o unico thesouro,
A que aspiraram sempre os meus anhelos,
Não comsigo abraçar mais que uma sombra,
E sobre o peito os braços se me fecham.
Mas Leïla aqui está, de pé, callada,
E estende para mim mãos supplicantes.
São estes os aneis de seus cabellos,
São os seus negros, scintilantes olhos.
Bem sabia que tudo era mentira.
Não podia morrer... mas elle é morto ;
No sitio, em que tombou, jaz sepultado.
E tu, por que da morte hoje despertas?
Ele não vem; quebrar não póde a lousa.
Disseram-me que as vagas inquietas
Sobre tuas feições e bellas fórmas