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Foste; ainda és meu delirante sonho !...
E Leïla morreu e vivo ainda,
Não como vive o resto dos humanos.
Uma serpe enlaçava em fortes dobras
Meu coração; o seu pungente acúleo
Estava sempre a despertar meu odio.
Indifferente ao decorrer do tempo,
Tendo aversão a todos os lugares,
Da natureza desviava os olhos.
Tudo que, dantes, me causava jubilo,
Hoje tristeza e dor me infundem nalma.
Sabes o resto; os erros meus conheces
E metade tambem de meus tormentos.
Mas não desejes vêr-me arrependido.
O mundo vou deixar—Inda prestando
Inteira tó ás tuas phrases pias,
Poderás desfazer o que está feito?
Não sou ingrato, não; mas crê,—não póde
Dores iguaes sanar teu ministerio.
Julga por ti do estado de minha alma,
Quanto mais compaixão em ti desperto,
Menos de compaixão convém me fales.
Si deres vida á misera Leïla,
Então impetrarei o teu indulto ;
Então pleitearei a minha causa
Ante esse tribunal, cuja indulgencia
Si obtém á custa de compradas missas.
Busca applacar a furia da leóa,
Que despojada foi dos tenros filhos,
Mas não tentes zombar deste exaspéro.
«Em calmas horas de meus verdes annos,
Quando meu coração, nadando em gozo,
Pulsava unido ao coração da amada,
«De meu torrão natal nas floreas balsas,
Tinha (tel-o hei ainda ?) um bom amigo.
Por ti lhe envio este penhor de affecto.
Desejo que elle saiba o meu destino.
Si bem que as almas, qual a minha, absortas
Num unico, empolgante pensamento,
Pouco se lembrem da amisade ausente,
Eu quero crer, ó padre, que meu nome,