Página:Byron-Giaurpoema.pdf/35

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
33

E՚ que me torna aos olhos teus, meu padre,
Um ser, cuja presença horror infunde.
Foi lavrada a sentença do assassinio;
Elle o soubera de antemão. Soára
A seu ouvido o merencorio tono
Do tahir, que troava a prophecia[39]
A՚quelle, que levava os seus asseclas
Ao theatro do infando morticinio.
Morreu, aliás, no campo da batalha,
Quando não ha fadiga ou soffrimento.
Um rogo a Allah, a Mahomet um brado.
Nada mais. Conheceu-me na refrega;
Travou lucta comigo. Eu contemplei-o
No chão da morte; vi partir sua alma.
Bem que varado, qual da flecha o tigre,
Nem metade soffreu do que eu soffrera.
Espreitei, mas em vão, naquelle rosto
As convulsões de um՚alma atormentada.
Trahiam-lhe as feições furor compresso,
Mas nem siquer indicios de remorso.
De tudo eu dera mão, té da vingança
P՚ra ler naquella face moribunda
A desesperação; de par com ella
Esse arrependimento em vão, tardio,
Que nem um só terror á morte arranca,
Que na vida actual não dá conforto,
Que não é salvação além da campa.

·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·

«Nas frias regiões é frio o sangue;
O amor apenas desse nome é digno.
Foi, porém, meu amor, lava em torrente
Do Heckla fervendo no revolto bojo.
Não sei pintar em pueril linguagem
As seducções e encantos da Belleza.
Si por ventura um pallido semblante,
Si plethoricas veias inflammadas,
Labios que, sem gemer, convulsos tremem,
Si um coração ardente e sempre franco
A՚s expansões de nobres sentimentos ;
Si um cerebro em demencia, actos de audacia,
Si um gladio, prestes da vingança ao grito,
Si o que hei sentido, si o que sinto ainda ;