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Amei essa mulher; idolatrei-a.
Todos repetem phrases semelhantes;
Mas não provei o meu amor por phrases.
Vės uma nodoa nesta espada?... E՚ sangue.
Jámais se apagará. Só por Leila,
Sacrificada por me ter amado,
Este sangue verti. Elle animava
O coração de um homem execrando.
Oh! Não fremas! Não caias de joelhos !
Não contes essa acção como peccado
E dá-me absolvição. A lei de Christo
Esse homem foi hostil. Era um veneno
Para seu coração de musulmano
O nome de christão. Ingrato, louco !
Si não morresse ás mãos de um nazareno
No ceo de Mahomet, d՚est՚arte, entrando,
Inda agora no umbral do paraizo
O aguardaram huris impacientes.
Eu adorava-a. O amor abre veredas,
Por onde não ousára o proprio lobo
Seguir a preza. Quando emprega audacia
E՚ mui raro que Amor não colha o premio.
Lastimei que da bella creatura
Por novo affecto o coração batesse...
Morreu!... Como? Não ouso proferil-o.
Mas olha !... Podes ler em minha fronte
Impresso em caracteres indeleveis,
O meu crime e com elle a pavorosa
Maldição de Caim. Peço me escutes,
Antes de julgamento. Eu fui a causa
Do crime e não o autor. O que elle ha feito
Em seu caso eu faria. Atraiçoado,
A merecida pena fulminára.
Por mais justo que fosse um tal castigo
Da bella a traição, na essencia, importa
Fidelidade para o novo amante.
Deu-me o seu coração—unico objecto
Que é defeso aos grilhões da tyrannia.
Cheguei, tarde demais, para salval-a;
Fiz quanto pude. Consolei-lhe a sombra,
Tirando a vida a seu cruel verdugo.
Não me pésa essa morte. A sorte d՚elle