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Não foi cruenta, não! Apressuradas
Do paraiso as virgens o acolheram
No flórido jardim. Os olhos negros
Brilhantes das huris sorriso eterna
Em premio lhe darão. Eil-as caminham,
Trajando verdes, transparentes gazes[34]
E ao bravo mandam saudação de beijos.
Todo o que morre de infiel aos golpes
Tem certa a entrada na divina estancia.
E tu, giaur cruel, has de estorcer-te
De Monkir sob a foice vingadora[35]
E só descansarás de tal supplicio
Para errar em redor ao throno d՚E՚blis.[36]
Alli perpetuo fogo, a circumdar-te,
Devorará teu coração culpado.
Desse horrivel inferno o atroz martyrio
Não n՚o póde escutar ouvido humano,
Nem existe expressão, que o pinte ao vivo.
O teu corpo, do tumulo surgindo,
Ha de á terra voltar e, transformado
Num vampiro de força poderosa,[37]
Fará morada (pavoroso espectro !)
Nessas paragens, onde houveste berço,
Tudo a todos os teus sugar as veias.
Tu, repugnando o detestavel cibo,
De que te nutritás—vivo cadaver—
Irás, á meia noite, haurir o sangue
Da propria irmã, da filha, da consorte.
Hão de, expirando, conhecer as victimas
Qual o monstro infernal, que as sacrifica.
Serás dellas maldito... has de lançar-lhes,
Por tua vez, o derradeiro anathema.
As tuas flôres murcharão na estipite.
Dos que têm de morrer por teu flagicio,
Um sómente... o mais moço, o mais presado,
Devo chamar-te—e abençoar-te.
Esta palavra—pai—qual ferro em braza,
Te queimará. E՚ força que termines
Teu horrivel mister. E՚ força espreites
Naquellas faces o rubor extremo,
Naquelles olhos a ultima scentelha