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Longe rolou; a fluctuante veste
De mil golpes de sabre está crivada,
E rubra como as nuvens matutinas,
Nuncias de chuva para o fim do dia.
De seu chale de esplendidos matizes[29]
Ha retalho sangrento em cada moita.
Rasgam-lhe o peito innumeras feridas.
Face voltada ao céo jaz, resupino,
O desditoso Hassan, que, já defunto,
Para o inimigo os olhos arregala,
Qual exprimindo inextinguivel odio,
Sobrevivente á morte. Em cima delle,
Rancoroso, o inimigo se debruça,
Sombrio, como a face do cadaver.

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Sim! No fundo do mar Leïla dorme,
Porém, Elle ha de ter um fim sangrento.
A sombra ultrice ha dirigido o ferro,
Que o coração do algoz fer՚o, certeiro.
Elle invocou o amparo do Propheta;
Não pôde Mahomet prestar ouvidos
Do feroz giaur contra a vingança.
Soccorreu-se de Allah e Allah foi surdo
Ao clamor. Insensato musulmano!
Podia o cóo as supplicas ouvir-te,
Quando insensivel foste ás de Leïla?
Estudo eu fiz da occasião propicia;
Destes valentes colloquei-me á testa;
Sorprehendi o traidor, tirei-lhe a vida.
Apaziguada a sede da vingança,
Parto; mas, desta vez, ninguem me segue.»

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Tintillam as campanas dos camellos[30]
Na planicie; atravez das gelosias
Vigia a mãi de Hassau, á noite, e sente
Cahir nas veigas reluzente orvalho.
Diz. quando ve o brilho das estrellas:
«Chega a noite; está perto a comitiva.»
Não pousa no jardim; irrequieta,
Sóbe á torre mais alta do palacio
E, olhando pelas grades da janella:
«Porque tanta demora? Os seus ginetes