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Entre espumosas e frementes serras,
Que torvelinham dos tufões ao sopro.
Fulgem, través de scintillante fumo,
Uns humidos clarões; as aguas mugem,
Qual trovão fragoroso e se arremessam
Com espantosa rapidez á costa,
Que, desse embate sacudida, esplende.
Qual do mar e do rio a lucta ingente.
Tal foi o encontro dos oppostos bandos,
Que injurias mutuas, o destino, a furia,
Um contra o outro em desespero arrojam.
O retintim dos sabres, que se embotam,
Crébras detonações, que longe, ou perto,
A ensurdecer o ouvido, repercutem,
O projectil mortal, que no ar sibila,
Os brados, o cruzar dos combatentes,
Os gemidos de dôr—tudo isto forma
Uma orchestra de lugubres ruidos,
Que o éco geme nesse val, fadado
A repetir o canto dos pastores.
Poucos luctando estão; mas nessa pugna
Ninguem implora, nem concede a vida.
Quão energico o nó, que enlaça e prende
Dous jovens corações, inebriados
No terno enlevo de caricias mutuas !
Para alcançar, porém, toda ventura,
Que não hesita em dar facil beldade,
Nunca revela Amor tanta pujança
Quanta o odio, no instante, em que se estreitam
Dous inimigos no mortal aperto,
Que nada póde desligar. Amigos
Separam-se, em seguida a breve amplexo;
Ri-se o amor dos laços, que tecèra ;
Mas a juncção, em lucta de exterminio,
Só póde separal-a a mão da morte.
Té seus punhos quebrada a cimitarra,
Inda gotteja o sangue, que esparzira;
Inda a dextra, do panho dividida,
Cerra, convulsa, a espada que, traidora,
Lhe mentira ao valor. O seu turbante,
Traspassado no mais espesso ponto,