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Fôra bravata alguem expor-se aos golpes
De aggressor, entre as arvores occulto.
Mas Hassan não apeia; avante segue ;
E, ouvindo retroar tantos mosquetes,
Vê-se colhido ás mãos dos inimigos,
Que a retirada, em pleno, lhe cortaram.
Então, de furia se lhe eriça a barba;[26]
Mais terrivel clarão do olhar despede.
« Zunam, embora, perto ou longe, as balas.;
Tenho escapado de mais rudes lances ! »
Salta o inimigo de detraz da rocha
E intima a rendição. Tem mais imperio
De Hassan o olhar, seus gestos e palavras,
Que as cimitarras do contrario bando.
Dentre o pequeno grupo, que o seguia,
Nenhum entrega espada, ou carabina,
Nem diz — Amaun — o grito do covarde.[27]
Saem do escondrijo os ultimos bandidos;
Approximam-se e põem-se a descoberto.
Muitos do pinheiral surgem, montados.
Quem é este que traz, á frentes delles,
Uma espada de insolito feitio,
A lampejar-lhe na sangrenta dextra ?
«E՚ elle; é elle! Reconheço-o agora
Por essa mesta pallidez do rosto.
Sim! Reconheço-a pelo olhar funesto,[28]
Que ás suas traições serve de auxilio;
Reconheço-o na barba de azeviche.
E bem que vista de um Arnota o traje,
E tenha renegado a crença antiga,
Não n՚o livra da morte a apostasia.
B՚ elle! Sé bem vindo, a qualquer hora,
Tu, amante da perfida Leïla,
Giaur execrado, incréo maldito ! »
Quando irrompe da foz, impetuoso,
Rio, que mescla ás aguas do Oceano
A tumida caudal das negras ondas,
Muitas vezes o mar lhe oppõe nas vagas
Força igual e, altaneiro, levantando
Columna azul, impelle para longe
A corrente invasora; esta recúa