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Elle, escravo nos centros populosos,
Inteiramente livre é no deserto.
Póde nesse lugar encher do vinho,
Defeso ao musulmano, a taça argentea.
Um Tartaro, que traz turbante jalde,
Da garganta á sahida, em frente surge
De seus soldados, que em fileira postos,
Lento, fazem a volta da passagem.
Domina-os da montanha o erguido cimo,
Onde faminto abutre aguça o bico,
Pois talvez, essa noite, um bom repasto
Se lhe prepare e, á ceva estimulado,
Deixe o refugio seu antes da aurora.
Aos pés lhes fica o leito de um ribeiro,
A՚ que sugou a lympha o sol do estio,
E onde rareiam rebentões de tojo,
Que, mal abrolham, enfesados morrem.
De ambos os lados margeando a estrada,
Jazem fragmentos de um granito escuro,
Que a mão do tempo, ou dos tufões a força
Destacaram dos picos desses montes,
Sempre envolvidos num capuz de nuvens.
Quem vio, sem elle, do Liakura o pincaro ?
Attingiram os bosques de pinheiros.
« Bismillah! O perigo é já passado; [25]
Eis diante de nós planicie aberta,
Onde os corceis esporear podemos.»
Sentio o guia, ao terminar a phrase,
Uma bala silvar-lhe nos ouvidos.
Morto cahio o Tartaro da frente.
Rapido, colhem redea os cavalleiros,
E, de um salto, no chão se precipitam.
Não mais cavalgarão tres desses homens.
Mão invisivel os ferio de morte.
Bradam vingança, embalde, esses cadaveres.
De espada em punho e carabina armada,
Firmam alguns os braços nos arreios,
Fazendo ante-mural dos seus cavallos.
Outros se abrigam nas visinhas rochas,
E a salvo de perigo, o assalto aguardam.