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Ao brado: «Quem és tu ?» acudo, presto ;
«Este salám, profundo e respeitoso[12]
A minha fé de musulmano atteste.
O fardo, que vos dá tanto desvelo,
Contém, de certo, precioso objecto.
Prompto para leval-o ahi está meu barco,
— Vens opportuno! Desamarra o esquife.
Eia; larguemos desta muda praia.
Não abras vela; põe no remo esforço.
Pára, chegando em meio dos rochedos,
Aonde, immota em seu canal estreito,
A agua repousa em profundez sombria.
Agora... Ahi... Que bem que trabalhaste!
Nossa excursão foi rapida... Entretanto,
Durou mais do que as outras, que...»

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Nas aguas


Tombou a carga e foi, lento, afundando.
Uma onda, que surgio, bateu na praia.
Segui co՚a vista o fardo. Afigurou-se-me,
Que, nesse instante, um movimento extranho
Essas tranquillas aguas agitava.
Era, talvez, a luz, tremeluzindo
No liquido crystal. Ia minguando,
Pouco a pouco, o tamanho do volume,
Qual diminue o de arrojada pedra,
Que no leito do mar, descendo, toca.
— Menos visivel cada vez,—tornou-se
Nodoa branca, a alvejar do mar no fundo,
Té que, de todo, se esvaio nas aguas.
E foi dormir nas furnas do oceano
Desse fardo o mysterio tenebroso.
Sabem-n՚o (mais ninguem) do abysmo os genios,
Que em suas grutas de coral, tremendo,
Siquer, não ousam murmural-o ás vagas.

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De Cachemira nos virentes prados
A rainha gentil das borboletas,[13]
Lindas, purpureas azas desdobrando,
Incita uma criança a perseguil-a;
Leva-a de flor em flor e, alfim, no termo
De uma carreira longa e fatigante,