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Não se ouvirão alli de voz humana
Accentos de furor, tristeza ou jubilo.
O derradeiro som, que a brisa trouxe,
Foi grito de terror, um som de morte.
Não houve outro ruido além do embate
Das gelosias, á merce do vento.
Restruja o furacão; chova em torrentes;
Nunca mais haverá braço que as feche.

Praz em meio de safaro deserto
Vêr, posto que indistincto, humano rasto.
Tal nessa casa um éco de consolo
A propria voz da dôr despertaria.
Dir-se-hia ao menos: Não partiram todos;
Inda, apezar de langue, a vida pulsa.
Ha neste paço camaras e salas,
Não destinadas a ficar desertas.
Por dentro do edificio, a mão do tempo
Foi exercendo a acção destruidora,
E só na entrada accumulou ruinas.
Alli não se detém derviche errante,
Nem o proprio fakir; pois dessa porta
Hospitaleira mão ninguem lhe estende.
Cansado viandante, forasteiro,
No ermo lar não comparte, abençoando-os,
Nem o pão, nem o sal—sacros emblemas.
Passará, descuidado, o rico, o pobre,
Por aquelle lugar, sem ser notado;
Pois com Hassan fugiram desses montes
Bondade e compaixão, virtudes raras,
Seu paço—antigo fóco de bulicio—
Hoje é theatro de tristeza e fome.
Já não ha para os hospedes asylo,
Para os vassallos já não ha trabalho,
Depois que do infiel a mão perversa
O turbante de Hassan fendeu co՚a espada

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Soam passos de alguem; não oiço vozes.
Vem proximo o rumor...vejo turbantes,
Vejo dos yatagans argenteas guardas.
Pelo uniforme seu de verdes cores[11]
Reconheço um emir no commandante.