Página:Byron-Giaurpoema.pdf/13
Seguia meu olhar aquella fuga.
Qual demonio da noite, apparecera
A՚ minha vista e, logo, se esvaira.
Mas guardei na memoria a imagem sua,
E resoou, por muito, em meus ouvidos
O forte galopar de seu ginete.
Crava mais fundo agudos acicates;
Eil-o visinho da ouriçada escarpa,
Que, entrando pelo mar, ensombra as ondas.
Quer, galopando, contornal-a, ás pressas.
Vai a meus olhos escoudél-o a rocha.
(Testemunhas não quer quem bate em fuga ;
Vendo brilho de mais em cada estrella,
Sente real vexame, ao ter certeza
Que olho importuno lhe acompanha os passos.)
Volve a cabeça e para traz dirige
Olhar, que visos tem de olhar extremo.
O ginete detém, por um momento;
Levanta-se no arção! Porque seus olhos
Erram por sobre o bosque de oliveiras?
Vê-se o crescente, a rutilar no oiteiro;
Já tremulante claridade espalha
D՚alta mesquita a lampada votiva.
Bem que não possa de tão longe ouvir-se
O mosquete a troar, vivos lampejos[8]
De festival descarga simultaneos,
As provas dão do musulmano zelo.
Esta tarde atufou-se no occidente
O ultimo sol do Rhamazan; começam
As festas do Baïram. E՚ nesta tarde...
Mas quem és tu, de traje peregrino
E de aspecto cruel? Que val tudo isto
Para appressar-te, ou demorar-te a fuga ?
Pára. O terror se pinta em seu semblante,
Que odiosa expressão, de prompto, assume,
Não é rubor de passageira colera,
Sim pallidez do marmóre da campa,
Féral brancura, lugubre, sinistra.
Pendida ao chão a fronte conservava ;
Tinha no olhar a fixidez da morte.
Em feroz attitude erguendo o braço,