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Para almas taes, á escravidão moldadas.
Tentame inutil fôra erguer taes frontes,
Que, avergadas ao jugo, o jugo adoram.

Trégoa a tão triste, doloroso thema.
Pois o que vou nariar tambem é triste !
Acredite o leitor de minha historia
Que, quando a ouvi contar, foi entre lagrimas.

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De negras rochas sobre o mar ceruleo
Se alonga a sombra. O pescador, de longe,
Toma-a por barca de insular pirata
Ou de Menota. Acautelando o esquife,
Foge á suspeita, proxima enseada.
Posto que exhausto e tendo grave o barco
Dos productos de mar, pesado e lento,
Mas com todo o vigor, maneja os remos,
Té que em Porto Leone acha refugio
Em constellada noite do Oriente.

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Quem, como o raio, á disparada, vôa
Sobre negro corcel, de redeas soltas
E pé veloz? Estrepitosas, soam
As ferraduras, acordando os écos
Das cavernas que, ao longe, os sons repetem.
Dos ilhaes do ginete a branca espuma
E՚ como a que produz do oceano a vaga.
Esta, do açoite fatigada, dorme ;
Mas não repousa aquelle cavalleiro.
Si crástina borrasca o céo prepara,
O՚ moço giaur, será, por certo,
Que a do teu coração menos tremenda.
Não te conheço; odeio a tua raça;
Mas em tuas feições signaes descubro,
Que deve accentuar a mão do tempo.
Trazes na fronte joven, mas sem viço,
De ferozes paixões gravado o estygma.
Ao passares por mim, qual meteóro,
Ias fitando o chão; mas em teus olhos
Conheci, de relance, um desses entes,
Que matar ou fugir deve o Ottomano !
Corria sem parar; cheio de assombro