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Espectaculo igual ha nestes sitios.
A Grecia aqui se vê, porém, sem vida;
Fria, mas rica em producções e galas.
Treme-se vendo-a bella até no exicio,
Pois alma já não tem. Os seus encantos
São os da morte e não tem fim com ella.
Sua belleza guarda a côr funerea,
Essa tinta das portas do sepulcro.
Clarão fugaz da idéa, que se evóla,
Aureo nimbo na fronte de um cadaver,
Raio de adeus do extincto sentimento,
Chamma, que vem, talvez, do fóco ethereo
E, sem dar-lhe calor, inda illumina
A tão saudosa habitação de argilla.

O՚ de immortaes heróes sagrada patria !
Tú, que nas chans, cavernas e montanhas
Offereceste azylo á liberdade
E para a gloria um tumulo cavaste ;
— Ossuario de fortes e valentes !
E՚ crivel que de ti tão pouco exista ?
Aproxima-te, ó vil, rojante escravo !
São estas as Thermopylas ? Responde !
Descendente servil dos homens livres,
Que ondas azues são estas, que te cercam ?
Qual o nome da praia, em que rebentam ?
Vejo de Salamina o golfo, a rocha ?
Vem Toma posse do scenario augusto,
Pelo fanal da Historia illuminado;
Arranca ás cinzas de teu pai scentelhas
Do fogo divinal, que os animava !
Quem na lucta morrer prende a seu nome
Outro nome, fatal aos oppressores,
E ha de legar aos seus eterna gloria,
Que será defendida a todo o transe.
Succumba o pai ; o filho ha de vingal-o.
Uma vez começada a lucta heroica,
Virá triumpho certo, após revezes.
Dá testemunho, ó Grecia. Em tua historia
Cada pagina affirma esta verdade !
Emquanto envolve os reis treva e poeira,
A teus heroes, si bem que derruida