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PARISINA

Confirmando o que diz, tudo explica e descobre
E em minucias se espraia a mercenaria turba;
E d՚Azo ao coração e ouvidos nada, em breve,
Resta ouvir e sentir do crime, que o conturba.

 

IX

 

Prompto em deliberar, seus actos não retarda
Azo. Na sala d՚honra o soberano d՚Este,
Tendo em toda de si a córte e toda a guarda,
Das funcções de juiz no throno, ora, se investe.

Aguardam os dois reus a decisão suprema.
Ambos jovens. E Ella... Ideal assim quem é ? !
Tem Hugo em cada pulso o arrocho de uma algema,
E pendente não traz espada ao boldrié.

Ante o progenitor um filho preso !... Oh Christo !
Não é para assombrar o extraordinario caso ? !
Pois cumpre que ante o pai em ferros seja visto,
Aguardando sentença, o illustre filho d՚Azo.

Deve a paterna voz, cortada de amargura,
Dizer o seu opprobrio e a pena, que merece.
Não se abate o mancebo. Em nobre compostura.
Sem proferir palavra, altivo, permanece.

 

X

 

Pallida, muda e quêda aguarda Parisina
A sentença. Mudou, n՚um dia, a sua sorte.
Não mais seu mago olhar as salas illumina,
Produzindo, em quem fila, o jubilo, o transporte.

Cortezãos já não vê, porfiando na homenagem,
Nem damas a estudar-lhe o porte, os ademans,
O suave da fala, o encanto da linguagem.
O garbo de rainha, as graças tão louçans.

Si ella chozasse, outz՚ora, à dor d՚uma injustiça,
— Para offensas vingar á victima tão bella,
Turba de paladins acudiria á liça,
Tornando-se, cada um, patrono na queréla.

Quem é? Quem elles são ? Si der ordens, agora,
Como d՚antes, serão cumpridas, sem detença?
A côrte, que a cercou, presente alli demora;
Mas em triste mudez, em morna indifferença.

Todos, d՚olhos no chão, o principe circulam;
Carregam o sobr՚olho e torvos se mantém;
Cauzam braços ao peito e apenas dissimulam
De seus labios á flór sorriso de desdem.

 
 

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