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Escólio. — É evidente que a acentuação gráfica é inútil na língua escrita cuja constituição glotolójica a determina invariávelmente: tal o latim clássico e as línguas jermánicas.
II
O ensino ortográfico da língua portuguesa reduz-se, portanto, na prática, ao ensino de:
I. Leis da acentuação nos vocábulos símplices e nos compostos.
II. Valor histórico dos fonemas aínda proferidos e dos que já não se proferem; influéncia dêstes sôbre a modulação da vogal precedente.
III. Conhecimento dos ditongos e sua dissolução.
IV. Silabização.
V. Homónimos e parónimos.
VI. Função dos sufixos.
VII. Composição dos vocábulos e formação da perífrase nos verbos, e uso das enclíticas.
Diremos dêstes assuntos em outros tantos paragrafos, definindo, todavia, primeiro, o que entendemos por ortografia portuguesa.
«Ortografia portuguesa» é o sistema de escrita ou grafia representante comum de todos os dialectos do português falado; a sua base é a história da linguajem portuguesa considerada como língua e como dialecto.
Considerada como língua, estuda-se a linguajem portuguesa no ponto de vista de língua fundamental ou língua mãe, de que, por evolução própria, se teem derivado outros modos de falar no tempo e no espaço, depois de assentada a evolução glotolójica realizada em Portugal durante mais de um século já desde D. Dinis, e principalmente durante os reinados de D. Pedro I, D. Fernando I e D. João I.
Considerada como dialecto, estuda-se a linguajem portuguesa como evolução glotolójica neo-latina ou románica.
1.º A acentuação marcada é tónica e não prosódica; não determina modulação da letra vogal, determina a sílaba elevada na enunciação do vocábulo.
Esta sílaba é uma só e a mesma sílaba para cada vocábulo na língua portuguesa em todo o país, com excepções esporádicas mais ou menos justificadas. Exemplos: hótel, hotel; bénção, benção.