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Preguiçoso róla o rio
As verdes praias beijando,
Longamente murmurando
Um carpido adeus de amôr.

Da folhagem do arvoredo
Doces lágrimas gottejam;
E mil zephyros adejam
Pousando de flôr em flôr.

Vem commigo, ó minha amada,
Saüdar esta aurora bella;
Não tenho sem ti, donzella,
Nem um completo prazer.

Vem, do teu amante ao lado,
Pousar neste chão de flôres,
E a linguagem dos amôres
Com as aves aprender.

Vem, depressa, ó minha pomba!
Vem com teus labios risonhos
Contar-me os singelos sonhos
Que em tua alma o céo verteu.

Eu quero tambem contar-te
Um sonho, um sonho mui bello,
Desejo, ó virgem, vertel-o,
Guardal-o no seio teu.