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DUAS AURORAS


La’ despontam no Levante
Entre candidos vapores,
Os primeiros resplendores
Do purpurino arrebol.

Já da noite os véos sombrios
No occidente empallidecem;
Sóbe aluz, as nuvens descem,
Foge a noite, assoma o sol.

Sobre o páramo dos ares
Um véo de luz se derrama,
Que nas pérolas da gramma
Vem sorrindo scintillar.

Estão as viçosas flôres
Abrindo os botões odóros,
E mil passaros sonóros
Sôbre as ramas a trinar.