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Eu amo esses negros olhos
Que revelam d’alma os fôlhos
Com virginal isenção;
Que sorriem, que se inflamam,
Que proferem, quando amam
Linguagens do coração.

Mas a palavra sahida
Pelos labios tem mais vida,
Mais fragrancia e mais ardor,
Como sahe mais viva a essencia
Na risonha florescencia
Do casto seio da flôr.

Eu amo esses labios, quando
Fechados vejo imitando
A descorchada romā;
Eu os amo prazenteiros
Vazando risos fagueiros
Como o sorrir da manhã.

Amo essa rosa vivente,
Que o ardor de um beijo sente,
Por ser a rosa do amôr;
E que em trôco de carinhos
Não dá cruentos espinhos
Bem como do prado a flôr.

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