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Colhi-a hoje do galho,
Inda humida do orvalho
Da luz ao primeiro alvôr;
E já zephyros ligeiros
A cercavam bandoleiros
Com muitos modos de amôr.

Não depuz nella um só beijo,
Pois seria de sobejo
Para manchar-lhe o candôr;
Para que logo murchasse,
E de branca se tornasse
Na mais purpurina côr.

Sê pois como a flôrzinha,
Tenha ella uma irmãsinha
Dentro de teu coração:
E’ a rosa da innocencia,
Rosa de angelica essencia,
Que Deus só ama em botão.