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O Mar


A minha informe amplidão
Do infinito é tôsca imagem;
O brado é minha linguagem
No hymno da creação!
P’ra render minha homenagem
Tento aos astros me arrojar,
E sobre mil escarcéos
Louvar ao Senhor nos céos…
Mas quebra os arrojos meus
Do Senhor um só olhar!…

A Noite


Eu sou a mãi do repouso,
Que na terra o somno espalho,
E com lágrimas orvalho
O hemispherio sequioso;
O sol protege o trabalho,
Eu sou a socia de amôr;
Mas visto estrellado manto
Para alçar perenne canto
Ao nome tres vezes santo,
Ao nome do Creador.