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Os echos escutou por muito tempo,
Encruzados os braços,
E de lá vem descendo pensativo
Com vagarosos passos.
Debalde as vistas erra pelos troncos
Da numerosa selva;
Em vão percorre as grutas, fatigado
Assenta-se na relva.
Pensa, medita, e erguendo-se mais forte
De novo a selva explora;
Volve, revolve tudo, e o vazio
Do coração deplora.
Subito estaca palpitante o peito,
E co’ o abraço aberto…
Estão seus olhos devorando a scena,
Que descortinam perto…
Na borda de uma fonte crystallina
A mulher se mirava;
Rubra de pêjo, as graças inda nuas
Co’as brancas mãos tapava.
Ria-se á sua imagem; para ella
Os braços estendia…
Mas vendo a sombra abrir-lhe um terno abraço
Recuava e sorria.