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Rodava a terra verde, e a lua pallida,
Ia a noite após ellas,
Mas caiu sôbre as trévas, que fugiam,
Uma chuva de estrêllas.

Os cometas correram desgrenhados,
Quaes profugos do inferno,
Levando aos astros dos confins da esphera
Os decretos do Eterno.

Do seu leito de abysmos o oceano
Tenta em vão levantar-se;
Vem tombando, mugindo, e espumando
Co’as terras abraçar-se.

Abre o condôr as azas sôbre navens,
Leviathan os mares;
E os jubados lesões, bramindo atroam
Os echos dos palmares.

Vem descendo dos montes, debruçados
Como enormes serpentes
Pelas campinas té beber no oceano,
Os rios e as correntes.

Os passaros cantando, a luz da aurora
Flóreos botões desata;
A selva freme, a viração murmura,
Sussurrando a cascata.

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