Página:Aureliano José Lessa - Poesias posthumas (1873).pdf/61

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
— 41 —

Quem sabe? Tu és como a consciencia
Ardente do perverso;
Ella não dorme, e abrasa a existencia,
—Tu ardes no Universo!

Oh! tu, lettra de fogo a mais brilhante
Do poema celeste!
Fonte do movimento, e que um instante
Inda não te moveste!

Um dia, quando o Eterno alçando o braço
N’um pavoroso brado
Basta, disser, estalarás no espaço
Extincto, aniquilado!

O cáhos ha de sorver-te, o seio abrindo
Com horrido fragor…
Depois… silencio! e após hosanna infindo
Dos anjos ao Senhor…

Ôlho do céo, insana consciencia
De toda a creação,
Quem és, brilhante enigma? O’ Providencia,
Quanto é fraca a razão!