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Aquece o orphão nú; elle é a imagem
Da eterna providencia;
Pharol que indica o porto da viagem
Nos mares da existencia.
Quem póde olhar-te, ó sol, sem ter desejos
De lêr-te a augusta sina?
Quem póde lêl-a sem visar lampejos
De uma glória divina?
Quando elevas a face soberana
Entre as nuvens da aurora,
Sorri-se a terra, e a familia indiana
Prosternada te adora.
E quantos mundos, cuja vida o brilho
De um teu olhar produz!
E quantos gyram em perenne trilho
Em tôrno á tua luz!
Ah! que, se Deus dos homens esquecido,
Te fechasse na mão,
Fôra um tumulo o orbe, submergido
Em gêlo e escuridão!…
E quem sabe se um tumulo inflammado
Pelo fogo do inferno,
E das almas dos reprobos fechado
Por cadeado eterno?!