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Astro, tu és a imagem da virdude
Tranquilla na desgraça,
Que espanca as trévas do caminho rude
Por onde o justo passa.
Em vão sacode o mar a espumea clina
Para manchar-te, ó Sol;
Em vão peneira o céo turva neblina
Em pallido lençol.
Em vão! surris do mar á iniqua ira,
A nuvem te encobre;
Ri da inveja a virtude; ella transpira
Dos andrajos do pobre.
Sossobra o mar erguidos hemispherios,
Tomba o rijo penedo;
O anjo da destruïção varre os imperios,
Mas o sol está quêdo.
E’ a urna, que a luz eterna espêlha!
E do raio, que encerra,
Descosido em milhões, cada scentelha
Verte um dia na terra.
Quando entre as nuvens hybernaes reflecte
Seus calidos fulgores,
Verdeja o prado, a neve se derrete,
Desabrocham as flôres.