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Cantei para olvidar o interno incendio,
E meus queixumes para Deus subiram,
Como o insenço do fervido thuribulo.
Essa chamma do céo, que abrasa o vate,
Crestou-me inteira a flôr da juventude…
Um pensamento só resta entre as cinzas,
Como immortal pyramide, que avulta
Sôbre um deserto… é Deus, que está commigo,
E’ Deus que pôz a mão no meu espirito
Para acalmar-lhe os ultimos anceios…

Dai-me a minh’harpa, eu quero, como o cysne,
N’um canto extremo evaporar a vida.