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Já viste duas ilhotas
De nuvens no céo perdidas,
Que mutuamente attrahidas
Vão no céo se confundir?
Já viste dous alvos lyrios
Que do arôma que exhalam
Vão no céo por onde allam
Um só arôma esparzir?
Tal é a imagem, donzella,
Dessa humana divindade,
Flôr da sensibilidade,
Que os homens chamam—amôr.
E’ um enigma inneffavel,
E’ um mysterio profundo,
Revelado á todo o mundo
Por um rosto encantador.
Como os pombos enlaçados,
Como as fontes, n’uma só,
Tal é o amôr, um nó,
Como os élos do grilhão.
Amôr é iris celeste,
Que prendendo as almas puras,
Vai vincular nas alturas
Affectos do coração.