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No oriente um sol, nos céos um astro,
Que me aclarasse do futuro as sendas…
Ah! que monta viver?… sorver aos poucos
Te ás fézes um calice de angústias,
Que mata lento e lento; e agonisante
Vivo se proclamar o moribundo!…
Dizer-se amôr—dos corações as chagas,
Esperança—uma phenix, que renasce
Sempre de cinzas; f’licidade—um nome
De um astro que não viram olhos d’homem,
Que talvez não verão!… E’ isto a vida?
Oh! desça ante meus olhos a cortina
Do pallido sepulchro; ella me esconde
O vazio do mundo, e este vazio,
Que tenho n’alma fundo qual abysmo,
Sómente o póde encher a eternidade!…