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Eu tenho ancia de amôr, e de ventura;
Em vão minh’alma soffrega procura—
No terra seus vestigios…
Volvo os olhos á noite—avisto estrêllas,
—Se á terra os humilhei, ai! ambas ellas
Perderam seus prestigios.
Só na virtude—somno de desejos—
Póde o homem colhêr trégoa aos arquejos
De um coração sedento;
E’ que ella vive olhando a sepultura,
Ou por entre trévas lhe fulgura
No abysmo um firmamento.
Se evaporar-se deve em esperança
A f’licidade que ante nós avança
Como a nuvem nos ares;
Se ella em meu peito já não mais se aloja,
Que te hei de dar?—aos pés da cruz te arroja,
Pede-me so pezares!