Página:Aureliano José Lessa - Poesias posthumas (1873).pdf/142

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
— 122 —

Alonguei os olhos pelo porvir, e vi patentes — os templos de Jano e Venus.

Alonguei-os pelo passado, e vi deslisando nas aguas do Nilo um recemnado. Vapor escuro rebuçava o tope do Sinai.

Rouquejou pelo correr do tempo muita ambição, correu muito sangue, adoraram-se muitos idolos.

Depois levantou-se de entre a multidão um tumulto espantoso, e aos ares um alarido horrivel e universal…

E o sentimento abandonou-me ao avistar a loucura total do genero humano,—porque o genero humano tinha enlouquecido.

Após esse transporte frenetico e brutal, meus olhos pairaram sôbre um cadaver pendente de uma cruz…

— Quem é aquelle? — bradei.

— A fé, a esperança, e a caridade,— respondeu-se-me

— E o que é a caridade, a esperança, e a fé?

— A felicidade.—

Então volvi-me para o futuro, e vi as nações prosternadas perante a cruz do Capitolio.

A paz reinava sôbre a terra.