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Do meu corpo olvidei; as mesmas feras
Fogem de me avistar; á flôr das fragas
Duro leito cavei, e até das éras
O curso confundi, como o das vagas
Em procellosos mares.

Não quiz a terra! Pelos céos vaguei
Buscando um hymno para descantar-te…
Do mar no fundo as conchas procurei,
E no deserto as flôres, p’ra pintar-te
No intimo do peito.

Eu encarei a sol meridiano
Envôlto em chammas de rubenta braza,
P’ra soletrar teu nome; e quiz, insano!
Que meu peito d’argilla fosse a casa
Do teu nome, Senhor!

Porque tão cedo as fôrças me deixaram?
Não mais te louvarei, que a voz fallece
Nos meus pulmões exhaustos, e seccaram
As vêas do meu corpo… Oh! quem podesse
Louvar-te eternamente!

Senhor, prostrado, exanime, sem vida,
Um velho implora o teu amôr; não vejas
Sem piedade esta fronte encanecida
Ao sol da solidão! Bemdito sejas
Pelos homens, e anjos!