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Dize-me, ó anjo perfeito,
Que guardas dentro do peito
Meu coração,
Porque tu és a ventura
Que ha tanto tempo procura
Minh’alma em vão?

Jura que toda te inflammas
Do meu coração nas chammas,
Chammas de amôr;
Que queres na chamma activa
Abrasar a alma captiva
Do trovador.

Vem, pois. meu anjo, eu preciso
Beber tua voz n’um riso
Melhor que o mel;
Sorver tu’alma em teus olhos,
Prender-me da trança aos molhos
N’um só annel.

Do teu cabello nas trévas
O rosto da aurora elevas
Como um rosal;
Quero vêl-o entre os cabellos
Como do pólo entre os gêlos
Luz boreal.