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SO’ SE PODE AMAR NO CÉO


Não, tu não sabes, donzella,
O que é descrêr do futuro;
No teu horizonte puro
Fulge ainda estrêlla bella.

Não tentes rasgar o véo,
O santo véo da innocencia,
Que vela a tua existencia
Anjo caïdo do céo!

A innocencia é a redoma
Que encerra as delicias d’alma,
Quebrada, quebra-se a calma,
E lá o infortunio assoma.

Não é reflexo do empireo,
Virgem, o amôr terreal;
E’ antes sonho infernal,
Que produz atroz martyrio.