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Que funesto acordar! Hão de os meus dias
Nas trévas sepultar-se antes que um riso
Floresça nos meus labios; hão de as aves
Saüdar cantando á verde primavera,
Ha de o rio volver seu manso curso,
O céo ha de anilar-se, a terra inteira
Inda será feliz, emquanto eu gemo
Longe dos homens, de emoção vazio,
Esperando que alvejem meus cabellos
Nesta fronte abrasada…

Ah! que a fria mão da morte
Quebrou a última flôr
Do meu jardim de esperanças,
A rosa do meu amôr.

Deixou-me a celeste musa,
E a minha saüdosa lyra
Já não palpita de amôres,
Mas chóra, geme, e suspira.

Neste valle de amarguras
O que me resta esperar?
Irei no arraial dos mortos
Minha tenda levantar.