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II

Vôa, rasga esse muro de ferro
Com teu peito de ferro mais forte,
Que elle ha de tombar como um pêrro,
E tu has de esmagal-o no chão;
Minha espada é a fouce da morte,
Teu galope é veloz como o raio,
São meus golpes lethaes onde cáio,
Teu nitrido é a voz do canhão!

III

Eia, avante! derruba por terra
Esse bosque enfachado de lanças,
E mil craneos, e ossos enterra
De teus rapidos pés ao tocar!
Que no mesmo caminho onde avanças
Após ti vem correndo a victoria!
Oh! tu sabes ao porto da glória
Entre nuvens de balas chegar!

IV

Tua cauda orgulhosa é açoute
Que nas faces dos vis tu resvalas;
Tua côr é mais negra que a noite,
Minha espada mais clara que o sol!
São teus olhos flammivomas balas,
Nosso sôpro é sulfurea fumaça!
Quem de vêr-nos tiver a desgraça
Não verá mais clarão do arrebol.