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Inda na margem da existencia cantas
C’ os sorrisos nos labios, desfolhando
A rosa das delicias;
Do tempo as ondas vem lamber-te as plantas
E para a outra margem vão levando
De teu ser as primicias.
E tu passas além—não vêm teus olhos
O marco assente ás bordas do caminho
Onde um anno se conta…
Assim o alcyon por entre escólhos
Vai descuidoso demandar seu ninho
Lá onde o sol desponta.
Mas eu, que proseguindo nos teus passos
Chóro os meus dias, conto-te os momentos
Da renovada aurora,
Hoje na lyra vibro uns sons escassos,
Quero ajuntar teu nome aos meus accentos
Na cythara sonóra.
Escuta: a fonte da vida
Límpida sempre não passa,
Lá vem a mão da desgraça
Suas ondas perturbar.