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os elephantes
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pobre capitão escorrega n’aquelles infames botins de bezerro com que teimava em trilhar o sertão — e cae, estatelado, de face na terra, diante mesmo do enorme elephante que chegava bramindo!

Fugiu-nos a respiração! O pobre camarada estava perdido! Largámos ainda a correr para elle, desesperadamente. E o desastre veio, com effeito — mas d’um modo bem differente. Khiva, o Zulú (valente, heroico rapaz que era!), vendo o amo por terra, volta-se, e arremessa a zagaia a toda a força contra a tromba do elephante. A fera lança um uivo de dôr, arrebata o desgraçado Zulú, bate com elle no chão, põelhe uma immensa pata sobre as pernas, e enrodilhando-lhe a tromba no peito, rasga-o — litteralmente o rasga em dois.

Corremos, cheios de horror, fizemos fogo uma vez, outra vez, furiosamente — até que o elephante se abateu como um monte sobre os pedaços sangrentos do Zulú.

Foi um instante de indizivel consternação. Apesar de endurecido por quarenta annos de caça e carnificinas, eu proprio sentia um «nó na garganta», e creio que me fiz pallido. O barão tremia todo. E o pobre capitão torcia as mãos, na dor de vêr assim despedaçado o servo valente que dera a vida por elle.

Só Umbopa teve a palavra serena que con-